Lágrimas de Fé

 

Pouco mais de 90 dias do afogamento, do pequeno Heitor, de 5 anos, sua mãe, Thaisa Amorim, conta com exclusividade, detalhes do dia e como tem sido a luta pela sobrevivência do garoto.

“Eu só conseguia gritar:

ME AJUDA ESPÍRITO SANTO”

O QUE ACONTECEU NAQUELE DIA 12 DE DEZEMBRO?

Como de costume, meu esposo estava limpando a piscina e o Heitor gostava de brincar lá. Em certo momento o David precisou atender uma ligação e quando voltou percebeu o corpinho do nosso filho boiando. Rapidamente levamos ao posto médico do bairro pedindo socorro e muito desesperada. O pessoal gritava para a gente ir para a UPA. Um senhor, nos colocou no carro e fomos para lá. No caminho, o Heitor deu uma parada cardíaca e já parecia desfalecido. Foram feitos os primeiros socorros e quando saímos da sala, a porta fechou, eu vivi o pior momento da minha vida. Tive muito medo dele não voltar mais… só me restava rezar muito e mesmo do lado de fora eu dizia em alta voz “Filho, a mamãe está aqui!”. Após muitas horas de atendimento, fomos informados da necessidade de transferência para outro hospital, o João XXIII, em Belo Horizonte, para o Heitor receber um tratamento mais intenso.

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O QUE MUDOU A PARTIR DESSE MOMENTO?

Tudo! O Heitor sempre foi uma criança muito independente. Acordava, arrumava seu próprio café e me acordava no primeiro raio de sol. Quando recebemos a informação que ele seria uma criança com cuidados especiais, para nós, foi um susto muito grande. Antes, era apenas ele, eu, meu marido e nossa filhinha, Helena. Hoje temos uma rotina com vários profissionais da saúde em nosso dia a dia, por exemplo. E não ter aquele Heitor que fazia de tudo, é muito doloroso.

“O Heitor nunca foi meu,

ele sempre foi de Deus”

E COMO É OLHAR PARA TRÁS DA SUA VIDA ANTES DESSE OCORRIDO?

Quando olho para trás e lembro que chegou um momento no hospital, onde os médicos me disseram que ele poderia ter uma morte cefálica a qualquer momento e poderia ser feito o desligamento dos aparelhos e de repente essa possibilidade foi descartada, eu só posso dizer: DEUS EXISTE! A gente questionou, sim, do porquê com ele? Por que conosco? Eu pedia para Deus voltar há 2 minutos naquele dia, porque antes dele entrar na piscina, nós trocamos um sorriso e eu só queria o poder de abraçar ele e não o deixar ir para lá. Porém, hoje percebo que minha fé é verdadeira. Não só da boca para fora. O Heitor sempre foi do Senhor, nunca foi meu. Hoje sei o que é entregar e cofiar de coração nos propósitos de Deus.

QUEM É A THAISA DEPOIS DO AFOGAMENTO DO HEITOR?

Uau! Nunca me perguntaram isso… e eu sinceramente não sei te responder. Eu ainda estou em redescoberta. Ainda estou num processo de retomada da vida. Mas, o que posso dizer é que situações como essa, nos fazem dar valor a algumas coisas que são simples e não percebemos. Por exemplo, valorizar ainda mais o nosso emprego e fazer sempre o melhor, por ser a partir dele que conquistamos sonhos. Dar valor aos momentos em família. Saber administrar melhor o tempo. A Thaisa hoje consegue motivar outras pessoas que passam por inúmeros desafios. Converso com muitas mães do Brasil todo também. Tento transformar a minha dor em um objeto de transformação e ajuda na vida das pessoas. Mesmo com tanta dor tenho fé e tento sorrir.

“A minha dor hoje,

 ajuda transformar a vida das pessoas”

COMO É A VIDA DA FAMÍLIA APÓS ESSE ACONTECIMENTO?

Estamos cada vez mais unidos. Meu filho mudou a minha quando nasceu e agora quando renasceu. Temos um no outro, ainda mais, carinho e respeito. Outro dia, quando a dor me abateu, eu vim aqui para varanda e chorei muito. Meu esposo veio me abraçou e chorou também. Eu estava precisando daquele momento e ele também. Nossa vida é feita de esperança. Temos um sonho simples, queremos andar de carro com o Heitor outra vez. Ou seja, uma coisa simples para muitos, nós estamos com toda uma expectativa. Valorizar as coisas simples e fazer tudo com muita entrega. Essa é a nossa família. 

THAISA, PARA VOCÊ O QUE É A VIDA E A FÉ?

A vida é um presente. Dado por Deus e que devemos valorizá-la a todo custo. Já a fé… bom, a fé é entender que temos um Deus e não te faz passar, mas te ajuda a passar. A fé é entender que temos uma mão poderosa que nos acompanha, fortalece e que tem um propósito para tudo. A fé é o que move a vida. Ainda veremos o Heitor bem, pois se ele batalhou para não morrer, eu tenho certeza, ainda o veremos firme, como um milagre, sorrindo outra vez.

Você pode ajudar a família do Heitor

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